Abriu os olhos…
Lá estava ela numa roda de cerca de cinqüenta pessoas num lugar perdido no meio do nada, onde o sol não brilhava e o ar era seco. Seu nariz ardia. No centro da roda havia um sujeito meio sujo, com tiques nervosos e carregando uma arma numa das mãos. A usava para coçar a cabeça de vez em quando. As pessoas da roda estavam ataráxicas e ora se entreolhavam, ora olhavam para o chão e desenhavam coisas sem sentido com os pés, ora não faziam absolutamente nada. Coisa de gente ataráxica.
De pé, meio sem entender como foi parar naquela situação, viu pouco a pouco cada uma das pessoas da roda levarem um tiro na cabeça. O sujeito meio sujo e que coçava a cabeça com uma arma ia fazendo perguntas um a um. Se não gostava das respostas, a reação era simples: mandava bala e o aborrecimento se esparramava na forma de uma poça de sangue. E os ataráxicos nada faziam, pois isso é algo que os ataráxicos também fazem: não reagem.
Quando deu por si, restavam apenas oito pessoas naquilo que horas antes fora uma roda. Olhou para os lados e viu de pé uma mulher branca de cabeça raspada. A branquela piscou um olho como quem paquera. Mas não se tratava bem disso. O sinal era pra indicar que o sujeito meio sujo que coçava a cabeça com uma arma havia carregado mais uma vítima para dentro de uma tenda. O sinal era um convite numa língua sem som: bora fugir daqui?
E assim, sem que ninguém as visse, correram. Correram por minutos, horas, dias, semanas, meses. Correram e atravessaram uma floresta negra enorme (tipo aquela do livro do Harry Potter em que vive uma aranha gigante, essa mesmo que você está pensando). Atravessaram também alguns campos de futebol e até bateram uma pelada com o pessoal gente boa que encontraram lá, depois continuaram com a fuga e seguiram correndo. Pegaram carona na carroceria de um caminhão por duas noites, e depois disso seguiram correndo. Chegaram até um lugar silencioso em que não havia estrelas e o ar estava úmido. Sentaram para finalmente descansar.
Enquanto o fôlego aos poucos voltava, um jovem as observava, chegou mais perto, apontou-as com uma das mãos e gritou. Surgem rapidamente alguns caminhões velhos e muita gritaria num idioma estranho e com muito áudio, mas seus ouvidos não o reconheciam. E de dentro de um dos caminhões surge um sujeito meio sujo coçando a cabeça com uma arma. Ele babava de ódio. Apontou a arma na cabeça da branquela de cabeça raspada e esbravejou: 42!!! E ela não soube o que responder. Olhou para sua parceira de fuga, sentiu o ódio percorrer-lhe as ventas e esbravejou: MAKTUB! E ela então se viu de pé, num lugar perdido no meio do nada sem saber o que dizer. Por fim…
…cerrou os olhos.
Ps: Sonho que tive noite passada.
Conclusão: O que é teu tá guardado.


Sonho de arrepiar. Mas é isso. Não temos para onde fugir.
Pois é, Pedrinho.
Nossa! Que aflição.
Lembrei do sonho da personagem de ‘A insustentável leveza do ser’. O_o
Sempre levei essa coisa de ‘o que é teu tá guardado’ como algo bom. Depois desse sonho, vou rever isso…
sabe que não consigo lembrar muito de meus sonhos… mas esse seu: uau! eu pularia da cama provavelmente.
Mas eu concluiria de outra forma, não sei… É porque não gosto muito da frase…rs. Talvez “a sorte não nos encontra em alguns dias”.
Égua, Jaque! =/
interessante… o q freud diria?
* gostei da foto nova lá em cima e da nova cara do blog. bacana!
sou branquela… e tava pensando em raspar o cabelo ó.O
nossa, que sonho…
que aflição, que loucura…
que foi isso?
Somehow i missed the point. Probably lost in translation
Anyway … nice blog to visit.
cheers, Accelerandi.